DIÁRIO DE SABARÁ

Brasil Estagnado: País Repete Pior Posição em Ranking Global de Corrupção e Acende Alerta para 2026

 


Por Alexandre Gonçalves 

O Brasil continua enfrentando sérias dificuldades para avançar na agenda de integridade pública. De acordo com o mais recente Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado nesta terça-feira (10) pela ONG Transparência Internacional, o país permanece estagnado na 107ª posição entre 182 nações avaliadas. Com apenas 35 pontos (em uma escala de 0 a 100), o Brasil repete sua pior colocação histórica e a segunda pior nota já registrada.

O resultado coloca o país bem abaixo da média global e regional, ambas de 42 pontos, situando-nos em um patamar preocupante, ao lado de nações como Sri Lanka e Argentina, e muito distante dos líderes de integridade, como Dinamarca (89 pontos) e Finlândia (88).

Escândalos de "Macrocorrupção" e Fragilidade nos Três Poderes

O relatório de 2025 da Transparência Internacional é contundente ao apontar as razões para essa paralisia. Entre os destaques negativos, a ONG cita o que classifica como casos de "macrocorrupção em escala inédita".

  1. Crise no INSS: O estudo aponta falhas graves na gestão do instituto e uma resposta governamental insuficiente diante de escândalos de fraudes que drenam recursos da previdência.

  2. Caso Banco Master: O relatório destaca uma "poderosa rede de influência" que atingiria a cúpula dos três poderes, com foco especial no Judiciário. O documento cita suspeitas sobre contratos de consultoria envolvendo familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e defende investigações independentes por parte da PGR e do Senado.

  3. Captura do Orçamento: No Legislativo, o ponto crítico é a consolidação das emendas parlamentares, que somam mais de R$ 60 bilhões para este ano. A ONG descreve o fenômeno como uma "captura orçamentária" que compromete a transparência no uso do dinheiro público.

O Silêncio do Executivo e a Reação das Instituições

O Executivo também não foi poupado. A Transparência Internacional criticou o "silêncio reiterado" do presidente Lula sobre a pauta anticorrupção. Segundo o levantamento, em 230 pronunciamentos realizados em 2025, a palavra "corrupção" foi mencionada apenas 13 vezes, muitas delas em tom de ironia ou crítica aos mecanismos de combate a esses crimes.

Por outro lado, o relatório reconhece avanços pontuais. O STF foi elogiado pela responsabilização de lideranças políticas e militares envolvidas em ataques à ordem democrática. Além disso, a sociedade civil mostrou força ao barrar retrocessos legislativos, como a chamada "PEC da Blindagem", no ano passado.

O Caminho da Transformação

Para o diretor executivo da Transparência Internacional - Brasil, Bruno Brandão, a estagnação é grave pois a corrupção sistêmica "emperra o desenvolvimento econômico e social e agrava as desigualdades".

As recomendações da ONG para 2026 incluem a criação de um Código de Ética rigoroso para o Judiciário, o fim da opacidade nas emendas parlamentares e um compromisso real do governo federal em retomar a agenda de transparência, especialmente em grandes projetos como o Novo PAC.


Comentários